Nos bons tempos em que o semanário O Pasquim circulava, o cronista Paulo Francis escreveu que estava ao lado do povo politicamente mas que fisicamente queria distância. Adotei o lema porque multidões sempre me intimidaram. Deve ser por isso que eu abomino o Flamengo e a horda desvairada que o segue. E também deve ser por isso que detesto qualquer manifestação carnavalesca. Galo da Madrugada, por exemplo, só pela televisão e bem longe. Temo que aquela enchente humana se esparrame pela tela e acabe desabando na minha casa.
Por isso cada carnaval que se aproxima é um drama. Moro em um lugar que é frequentado por nove entre dez blocos que circulam pelo Rio de Janeiro. E como os blocos estão concentrados na zona sul, desagua gente de toda cidade para acompanhar a batucada. Quando a turma volta para casa deixa um rastro comparado ao de Átila, o rei dos hunos. É recipiente de lixo demolido a pontapés, cacos de garrafas de cerveja desafiando pés incautos, o direito de ir e vir inteiramente desrespeitado e uma montoeira de lixo que atesta a falta de educação dos nossos cidadãos.De todas as classes, lembro.
É por isso que eu quero preparar minha rota de fuga o quanto antes para evitar que os blocos me peguem. Pensei até, como último recurso, me incorporar a uma dessas vigílias religiosos, mas corro o risco de ser atropelado por um bloco de fanáticos mais nocivos do que os do carnaval. O pior é que o tempo está passando e acho que só vai me restar ma transferir para Inhaúma, subúrbio onde eu trabalho. Como até os inhaumetes vão procurar os blocos perto da minha casa, uma solução pode ser me abrigar no meio do complexo do alemão. Só existe o perigo de que de uma forma ou de outra, mesmo longe dos blocos, eu acabe dançando.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Foi por medo de avião....
Tomando emprestado e adaptando uma frase de Nelson Rodrigues sobre as mulheres, eu diria que "todo mundo tem medo de avião, só os neuróticos desmentem". Eu sempre acho engraçado quando as pessoas dizem que se sentem absolutamente tranquilas a dez mil pés de altura encarando o "doce" balanço do ar.
No começo, eu também não tinha receio de voar. Era absolutamente irresponsável. Já viajei o dia inteiro em avião de paraquedistas com bancos do lado quando minha família trocou Recife por Brasília apenas com o sentimento de curiosidade. E fui do Rio a Manaus em avião da Fab que fumaçava na chegada e na partida. Eu era demente e não sabia.
Só passei a descobrir que tinha espírito de formiga e não alma de águia depois que meus filhos nasceram. Aí é que eu passei a reparar em barulho de motor, cara de comissário/aeromoça e qualquer movimentação suspeita no corredor. Achava que iria fazer muita falta se o avião caísse. Acontece que João e Ana estão bem crescidos e tocam sua vida sem a minha interferência(só com minha torcida), e eu continuo a ter sensações desagradáveis quando embarco daqui prali e dali pra lá.
A verdade é que o pavor não me impede de viajar. Mas faço questão de entrar no avião com o pé direito para ver se isso ajuda a sair com os dois pés de lá. Não consigo ler nada durante o vôo porque fico mais concentrado nos avisos luminosos de atar cintos(desnecessário porque nunca os desato) e em relembrar toos os aeroportos situados, por exemplo, entre Rio de Janeiro e Recife. Eu sempre penso que é bem melhor uma aterrisagem forçada do que um mergulho no mar porque sei que de nada servirá aquela instrução de pegar a poltrona para usar como flutuador. Não vem ao caso já que estamos tratando de assuntos aéreos mas a natação também não é meu forte.
Enfim, não estou escrevendo para assustar os "medrosos" de plantão mas para dividir com eles o sentimento de que nós é que somos normais. Quem sobe de forma impávida e altaneira as escadas de um avião é que está precisando urgente de um tratamento.
No começo, eu também não tinha receio de voar. Era absolutamente irresponsável. Já viajei o dia inteiro em avião de paraquedistas com bancos do lado quando minha família trocou Recife por Brasília apenas com o sentimento de curiosidade. E fui do Rio a Manaus em avião da Fab que fumaçava na chegada e na partida. Eu era demente e não sabia.
Só passei a descobrir que tinha espírito de formiga e não alma de águia depois que meus filhos nasceram. Aí é que eu passei a reparar em barulho de motor, cara de comissário/aeromoça e qualquer movimentação suspeita no corredor. Achava que iria fazer muita falta se o avião caísse. Acontece que João e Ana estão bem crescidos e tocam sua vida sem a minha interferência(só com minha torcida), e eu continuo a ter sensações desagradáveis quando embarco daqui prali e dali pra lá.
A verdade é que o pavor não me impede de viajar. Mas faço questão de entrar no avião com o pé direito para ver se isso ajuda a sair com os dois pés de lá. Não consigo ler nada durante o vôo porque fico mais concentrado nos avisos luminosos de atar cintos(desnecessário porque nunca os desato) e em relembrar toos os aeroportos situados, por exemplo, entre Rio de Janeiro e Recife. Eu sempre penso que é bem melhor uma aterrisagem forçada do que um mergulho no mar porque sei que de nada servirá aquela instrução de pegar a poltrona para usar como flutuador. Não vem ao caso já que estamos tratando de assuntos aéreos mas a natação também não é meu forte.
Enfim, não estou escrevendo para assustar os "medrosos" de plantão mas para dividir com eles o sentimento de que nós é que somos normais. Quem sobe de forma impávida e altaneira as escadas de um avião é que está precisando urgente de um tratamento.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Balanço de férias
Voltar ao Recife é sempre um reencontro/confrontação com meu presente e, principalmente, com o meu passado. De uma forma ou de outra é sempre bom o reencontro com a família, mas o que sinto a cada visita é que a minha alma vai se desprendendo daquela terra como se eu não me identificasse com o lugar onde nasci. O que não significa que esteja virando um carioca de segunda classe. Moro aqui, meus filhos e minha mulher são cariocas mas me sinto um cidadão permenentemente em trânsito.
O que acontece é que a cada visita sinto minha linda cidade natal cada vez mais desfigurada e, para não sofrer vendo o estado lastimável dos prédios da Guararapes e Conde da Boa Vista, prefiro acreditar que sou um turista que nada tem a ver com aquele abandono que as sucessivas administrações nos legaram. Assim como nada tenho a ver com Dona Lindu. aquele mostrengo criado em Piedade, à revelia da população. Um monumento ao puxasaquismo que só menospreza os homenageados.
Por isso vesti minha alma de turista e preferi curtir o maravilhoso calçadão de Boa Viagem, á agua de Porto de Galinha, a vista da Enseada dos Corais. Tudo o que me faz esquecer que Cajueiro é a "treva" e sair ou chegar lá é uma aventura desgastante e sinistra. Alí, só imitando a Angélica e ir de taxi. Que, aliás, demora paca a chegar.
Por Recife, desfiei meu Rosário de lembranças agradáveis e visitei a pracinha alegremente alternativa da Carmo. Peguei uma marola em Olinda com gente que posso ficar sem ver a vida inteira mas que é como se tivesse visto ontem. Aliás, o que seria de mim em Recife sem minhas amigas de intensidade variada? Como eu poderia ter ido embora de Recife sem conhecer aquela turma animada que transforma a paz em objetivo único. Se eu vivesse lá, eu certamente gostaria de ser um deles. Por mais que tenha ficado calado, sorri o tempo inteiro.
Já no Catamarã......
O que acontece é que a cada visita sinto minha linda cidade natal cada vez mais desfigurada e, para não sofrer vendo o estado lastimável dos prédios da Guararapes e Conde da Boa Vista, prefiro acreditar que sou um turista que nada tem a ver com aquele abandono que as sucessivas administrações nos legaram. Assim como nada tenho a ver com Dona Lindu. aquele mostrengo criado em Piedade, à revelia da população. Um monumento ao puxasaquismo que só menospreza os homenageados.
Por isso vesti minha alma de turista e preferi curtir o maravilhoso calçadão de Boa Viagem, á agua de Porto de Galinha, a vista da Enseada dos Corais. Tudo o que me faz esquecer que Cajueiro é a "treva" e sair ou chegar lá é uma aventura desgastante e sinistra. Alí, só imitando a Angélica e ir de taxi. Que, aliás, demora paca a chegar.
Por Recife, desfiei meu Rosário de lembranças agradáveis e visitei a pracinha alegremente alternativa da Carmo. Peguei uma marola em Olinda com gente que posso ficar sem ver a vida inteira mas que é como se tivesse visto ontem. Aliás, o que seria de mim em Recife sem minhas amigas de intensidade variada? Como eu poderia ter ido embora de Recife sem conhecer aquela turma animada que transforma a paz em objetivo único. Se eu vivesse lá, eu certamente gostaria de ser um deles. Por mais que tenha ficado calado, sorri o tempo inteiro.
Já no Catamarã......
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Gostos e desgostos
Ao entrar de férias descubro que estou vivendo fora do mundo real . Afinal, nunca vi um filme dos neo-vampiros e sempre fico boiando quando alguém começa a falar sobre qualidades dos personagens de uma história que, francamente, não me interessa. Já me bastam os vampiros que me cercam cotidianamente na rua ou no trabalho.
Também não acompanho séries de televisão, o que me exclui de outro grupo. Seriado pra mim era o do zorro ou do batman, o que já uma prova de antiguidade. Afinal, não suporto o batman dark criado pelo tim burton e que se tornou marca oficial. Gosto daquela turma escrachada do comissário Gordon e do Sargento Ohara, além da mais exótica fauna de vilões que a ficção já produziu.
Detesto conversas sobre o pré-sal. A muito custo, consegui ler uma matéria didática sobre o assunto só pra não fazer cara de idiota quando o assunto entra na pauta.
Odeio filme iraniano, israelense ou qualquer coisa tachada de genial pelos nossos críticos que se especializaram em traduzir e copiar opiniões dos malas estrangeiros. Também abomino filme brasileiro metido a inteligente onde a chatura é o enredo principal. Quando vejo o andrógino bonequinho do globo aplaudindo de pé, tenho vontade de arrastar a cadeira para que ele caia quando tentar sentar. No bom sentido, é claro.
Que posso fazer se adoro chanchadas da Atlântida(filmes nacionais da década de 60) musicais americanos do bom tempo do escapismo, filmes de cowboys com bastante tiro onde o índio é sempre vilão.
Sou politicamente incorreto. Acho o PT um partido fascista apesar de achar Lula uma figuraça que está sabendo curtir a presidência com todas as suas vantagens. E parafraseando minha irmã Dena: detesto todas as minorias que vivem de levar vantagem sobre a maioria. E quero distância de flamenguistas quando estão exercendo o seu desvario.
Antes que os meus escassos leitores achem que não gosto de nada. Gosto de sol. E espero que ele brilhe para todos. Principalmente para as pessoas que fazem parte do meu mundo afetivo. Acho que isso é suficiente. Por enquanto.
Também não acompanho séries de televisão, o que me exclui de outro grupo. Seriado pra mim era o do zorro ou do batman, o que já uma prova de antiguidade. Afinal, não suporto o batman dark criado pelo tim burton e que se tornou marca oficial. Gosto daquela turma escrachada do comissário Gordon e do Sargento Ohara, além da mais exótica fauna de vilões que a ficção já produziu.
Detesto conversas sobre o pré-sal. A muito custo, consegui ler uma matéria didática sobre o assunto só pra não fazer cara de idiota quando o assunto entra na pauta.
Odeio filme iraniano, israelense ou qualquer coisa tachada de genial pelos nossos críticos que se especializaram em traduzir e copiar opiniões dos malas estrangeiros. Também abomino filme brasileiro metido a inteligente onde a chatura é o enredo principal. Quando vejo o andrógino bonequinho do globo aplaudindo de pé, tenho vontade de arrastar a cadeira para que ele caia quando tentar sentar. No bom sentido, é claro.
Que posso fazer se adoro chanchadas da Atlântida(filmes nacionais da década de 60) musicais americanos do bom tempo do escapismo, filmes de cowboys com bastante tiro onde o índio é sempre vilão.
Sou politicamente incorreto. Acho o PT um partido fascista apesar de achar Lula uma figuraça que está sabendo curtir a presidência com todas as suas vantagens. E parafraseando minha irmã Dena: detesto todas as minorias que vivem de levar vantagem sobre a maioria. E quero distância de flamenguistas quando estão exercendo o seu desvario.
Antes que os meus escassos leitores achem que não gosto de nada. Gosto de sol. E espero que ele brilhe para todos. Principalmente para as pessoas que fazem parte do meu mundo afetivo. Acho que isso é suficiente. Por enquanto.
domingo, 15 de novembro de 2009
Blogueiro sem vergonha
Foi preciso que a Mariana me contasse que havia escrito sobre o texto que eu tinha feito do casamento dela com o João Henrique pra que me desse conta de que ainda tinha um blog. E algumas pessoas dispostas a lê-lo. Na verdade, esse negócio de blogg dá muito trabalho. A Verônica, por exemplo, é tão craque nessa atividade que costumo defini-la como uma mulher de cabeça, tronco e blog. Blogueiro que se dá ao respeito tem muitos seguidores, e eu só tenho uns gatos pingados( todos da melhor qualidade, ressalto) que certamente até desistem de procurar textos novos tal o intervalo que coloco entre uns e outros.
Mas prometo não sumir da raia. Afinal graças ao blog é que posso descobrir que a Ana Luíza se emociona com o que escrevo. Talvez para compensar às vezes em que a irrito quanto falo. E de uma certa forma, compenso a ausência de pessoas queridas que se tornaram mais frequentes como a Neli, a Rosário e a Marisa.
Como um Dom Pedro sem barba, sem cavalo e sem coroa é que lanço meu brado blogueiro: digo ao povo que fico. Acredite quem quiser. Eu, por enquanto, estou acreditando.
Mas prometo não sumir da raia. Afinal graças ao blog é que posso descobrir que a Ana Luíza se emociona com o que escrevo. Talvez para compensar às vezes em que a irrito quanto falo. E de uma certa forma, compenso a ausência de pessoas queridas que se tornaram mais frequentes como a Neli, a Rosário e a Marisa.
Como um Dom Pedro sem barba, sem cavalo e sem coroa é que lanço meu brado blogueiro: digo ao povo que fico. Acredite quem quiser. Eu, por enquanto, estou acreditando.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Dançando com o coração
Ainda bem que uma das madrinhas do lado do altar também chorou. Só assim eu não me senti o maior bestalhão do universo por estar com cara de pastel enquanto todos sorriam. Afinal, era mais do que um casamento de João e Mariana. Era a continuação de uma festa para todos nós que começou quando eles se conheceram. E como valeu a pena. Ver Beto,Dena, Neli, Helena,Ivanildo, Tuca, Guilherme, Pedroca e Fernanda tão próximos, embora vivam mais longe do que deveriam. Ver o Paulinho e a Bel trocarem uma data histórica por uma festa nossa que acabou também sendo deles.
E depois ver tanta gente querida que estava lá por causa do João, por causa da Mariana, por causa dos dois, por causa da gente.
Aquele sábado foi um dos daqueles dias que quando acaba a gente fica com gosto de quero mais. Ver minha mulher iluminada e feliz e a Ana Luiza alegrita(alegre e bonita) me deixou com a certeza de que aquele foi um dos momentos que justificam qualquer momento de chateação incompreendida ou incompreenão chateada que a gente vai encarando pelos tempos.
Não dancei na festa. Não gostava antes não vou gostar depois, mas quem estava lá pode ter certeza que mesmo parado no meu canto, eu estava mergulhado na festa. Estava dançando com o coração. Com todas as batidas e ritmos possíveis.
E depois ver tanta gente querida que estava lá por causa do João, por causa da Mariana, por causa dos dois, por causa da gente.
Aquele sábado foi um dos daqueles dias que quando acaba a gente fica com gosto de quero mais. Ver minha mulher iluminada e feliz e a Ana Luiza alegrita(alegre e bonita) me deixou com a certeza de que aquele foi um dos momentos que justificam qualquer momento de chateação incompreendida ou incompreenão chateada que a gente vai encarando pelos tempos.
Não dancei na festa. Não gostava antes não vou gostar depois, mas quem estava lá pode ter certeza que mesmo parado no meu canto, eu estava mergulhado na festa. Estava dançando com o coração. Com todas as batidas e ritmos possíveis.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Desinventando a vida
Acho que todo mundo, em qualquer lugar do mundo, já teve a sensação de estar nadando contra uma onda que não acaba nunca. Quanto mais força você faz mas fica a impressão de que está no mesmo lugar. E vem a sensação de cansaço que não é físico. E como se seu espírito, alma, ou coisa que o valha estivesse prestes a jogar a toalha. Apesar de tantos anos de vida sinto como se não tivesse caminhado tanto o que se torna um contrasenso para quem se diz cansado. Ou seja, tou além da velocidade: parado.
Nesses momentos, eu que sempre me considerei onipotente, convivo com o sentimento de fracasso por não conseguir ver feliz algumas pessoas que amo. E como se a dor delas fosse uma responsabilidade minha. Mas como ajudar alguém a ser feliz se eu mesmo não estou me sentindo capaz de virar o jogo?
Se me canso espiritualmente com o convívio de companheiros de trabalho que fazem da mediocridade o norte das suas vidas. E que faço eu metido num lugar onde a máxima é tirar o máximo de quem tem o mínimo ? Não estou falando da Receita Federal e sim de um lugar onde o nome de Deus está em todas as bocas, da boca pra fora. E se a volta pra casa não se torna o repouso do guerreiro mas a nau dos insensatos, tudo o que faz você deseja é que ela vire de uma vez pra que você caia fora. Seja pra que lado for.Diante de tudo isso dá uma vontade imensa de chutar o balde, mesmo que a água caia sobre a minha cabeça. Acho que estou perdendo a capacidade de inventar o que coloca em sério risco o personagem que inventei e que carrego comigo ao longo da vida.
"Estive doente
doente dos olhos, doente da boca,dos nervos até,
dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café
Estive doente
estou em repouso, não posso escrever
eu quero um punhado de estrelas maduras
eu quero a doçura do verbo viver."
"De um louco anônimo"
Nesses momentos, eu que sempre me considerei onipotente, convivo com o sentimento de fracasso por não conseguir ver feliz algumas pessoas que amo. E como se a dor delas fosse uma responsabilidade minha. Mas como ajudar alguém a ser feliz se eu mesmo não estou me sentindo capaz de virar o jogo?
Se me canso espiritualmente com o convívio de companheiros de trabalho que fazem da mediocridade o norte das suas vidas. E que faço eu metido num lugar onde a máxima é tirar o máximo de quem tem o mínimo ? Não estou falando da Receita Federal e sim de um lugar onde o nome de Deus está em todas as bocas, da boca pra fora. E se a volta pra casa não se torna o repouso do guerreiro mas a nau dos insensatos, tudo o que faz você deseja é que ela vire de uma vez pra que você caia fora. Seja pra que lado for.Diante de tudo isso dá uma vontade imensa de chutar o balde, mesmo que a água caia sobre a minha cabeça. Acho que estou perdendo a capacidade de inventar o que coloca em sério risco o personagem que inventei e que carrego comigo ao longo da vida.
"Estive doente
doente dos olhos, doente da boca,dos nervos até,
dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café
Estive doente
estou em repouso, não posso escrever
eu quero um punhado de estrelas maduras
eu quero a doçura do verbo viver."
"De um louco anônimo"
Assinar:
Postagens (Atom)
